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Para quem adora praia

A orientação de hoje é para os que adoram praias. Cuidado com algumas surpresas. A água-viva é transparente, tem formato de guarda-chuva e injeta uma substância venenosa na pele, provocando queimaduras localizadas, principalmente no rosto e no tórax. Inicialmente, banhar … Continue lendo

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O sujeito e o trabalho

 

O filme A agenda, dirigido por Laurent Cantet e premiado com o Leão do Ano no Festival de Veneza de 2001 mostra uma leitura dos dilemas de uma “profissão” cada vez mais em voga — o desempregado — e levanta questões sobre a ligação entre o mundo do trabalho e o universo das relações familiares e sociais. O protagonista Vicent enfrenta o drama de um pai de família desempregado que, por temer perder seu lugar de autoridade no seio da família e da sociedade, num mundo em que o sujeito é definido e reconhecido, fundamentalmente, pelo trabalho, opta por assumir uma falsa identidade profissional. O roteiro do filme é inspirado na tragédia verídica que assolou a família francesa de Jean-Claude Romand, que a matou ao ser desmascarado de sua carreira fictícia como médico, e tentou em seguida o suicídio. A película, também, introduz uma indagação: é possível a existência de outras funções sociais para o sujeito, além do trabalho?

A precarização do emprego — desempregados de longa duração, mães abandonadas que trabalham por baixa remuneração, jovens sem oportunidades de qualificação — é a paisagem dos tempos atuais. Assim, desqualificados e invalidados socialmente, surgem os novos desfiliados. Enquanto alguns mergulham numa atmosfera de atividade consumidora desenfreada, outros passam pela humilhante degradação de seu nível de vida. Se, para alguns, a vida significa ter sempre mais e viver mais, para outros o sentimento é de viver menos e de ser menos. Dessa contradição resultam um surto de sentimentos de exclusão, de viver uma vida “que não é vida”, e comportamentos delinquentes. É nesse contexto que se observa o recrudescimento da encarnação da violência como meio de conferir a si mesmo um lugar — necessidade de “ser alguém”, de existir a qualquer preço aos olhos do outro e aos próprios.

O desejo humano busca realizar algo que proporcione uma imagem positiva de si, fonte de reconhecimento do outro e de autoestima. O filósofo Gilles Lipovetsky alerta que na extrema incerteza do amanhã, na ausência total de projeto, crescem os danos psíquicos decorrentes da degradação da relação do indivíduo consigo mesmo e com a vida, favorecendo a depressividade e a baixa autoestima.

Jassanan Amoroso Dias Pastore