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Biografia
Dr. Carlos Alberto Pastore
Nasci em fins da década de 1940, mais precisamente no dia 2 de dezembro de 1949. Minha infância e juventude passei no bairro de Perdizes, em São Paulo.
1950
Em meados da década de 1950, embalado pelo jazz – cujas músicas ouvia na Rádio Panamericana, no programa “Quinta Avenida”, comandado por meu padrasto, o jornalista e radialista Estevan Victor Bourroul Sangirardi [vídeo de homenagem], a quem chamávamos carinhosamente Sanja –, iniciei meus estudos no Externato Assis Pacheco, localizado no mesmo bairro onde vivia. Lá fiz meus primeiros amigos. Mais tarde transferi-me para o Colégio São Domingos, então filiado à Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde terminei o ginásio. A essa altura, já não era só o jazz que fazia a minha cabeça. Também por intermédio de Sanja, acompanhei a introdução do rock de bandas estrangeiras no Brasil. No programa “Música e Alegria Kolynos”, no qual Sanja divulgava os lançamentos da gravadora Odeon, ouvi pela primeira vez canções dos Beatles.
Ao terminar o ginásio, decidi prosseguir meus estudos no colégio Dante Alighieri. Mas longe dos meus amigos companheiros de futebol, e obrigado a usar uniforme e cabelos curtos, logo mudei de idéia. Acabei indo para o Colégio Rio Branco, onde concluí o curso colegial e fiz grandes amizades. Era, então, hora de mais uma decisão: a maioria dos meus amigos pretendia estudar Desenho, para depois cursar Engenharia. Hesitei, e no fim das contas acabei decidindo pela Biologia, por já ter em mente a Medicina.
1968
Prestei o vestibular em 1968, com o desejo de estudar em São Paulo. Só fui aprovado, porém, numa escola de Medicina em Ribeirão Preto. Sair de casa, ficar longe dos meus amigos e iniciar uma nova vida no interior estava fora de cogitação. Neste momento o médico, e amigo da família, Dr. João Carlos Di Gênio, que acabara de criar o Curso Objetivo, chamou-me a atenção para uma faculdade em Santo André que acabara de abrir suas portas. Aceitei a sugestão e realizei a prova do vestibular numa quarta-feira de cinzas.
Pronto, lá estava eu, aos 18 anos, na primeira turma da Faculdade de Medicina do ABC.
Apesar de ser um curso novo, seus professores eram grandes conhecedores e práticos da medicina: Dr. Prates, Dr. Nylceo Marques de Castro, Dr. Okumura, Dr. Achê, Dr. Oto Bier, Dr. Capisano, Dr. Miller de Paiva, entre tantos outros. Estes mestres iniciaram um projeto de formação médica – aqui também é preciso citar o esforço do Dr. Milton Borrelli – que até hoje é sinônimo de excelência.
1974
No ano de 1974, o maior desafio da minha vida foi ser aprovado no exame de qualificação para o internato do Hospital do Servidor Público Estadual, instituição muito conceituada à época. O Dr. Vicente Amato Neto, da divisão de Moléstias Infecciosas, o Dr. Hélio Bernardes Silva, da Nefrologia, o Dr. João de Melo e o Dr. Aun, ambos da Alergia, e o Dr. Mozart, da Pneumologia, propiciaram-me uma grande experiência nesse hospital.
No ano seguinte, minha grande preocupação já era o exame de residência. Nessa mesma época, interessei-me pelo estágio no Serviço de Eletrocardiografia do Instituto Dante Pazzanese, coordenado pelo Dr. Hélio Schwartz. A Cardiologia era, cada vez mais, uma área de minha predileção.
O falecimento do meu pai, Carmino Pastore, por doença cardiovascular, foi o fato que determinou minha opção pela Cardiologia como especialidade. Inscrevi-me, então, no Curso de Especialização em Cardiologia do Prof. Dr. Luis Venere Décourt, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Participar das atividades de um centro de referência empolgou-me. Lá, pude ainda conhecer uma das pessoas mais importantes para o desenrolar de minha carreira: o Prof. Dr. João Tranchesi, na época responsável pelo Serviço de Eletrocardiografia e Vetorcardiografia. Tranchesi, um didata nato, com sua forma gentil, amiga e honesta de trabalhar despertou meu interesse para a pesquisa. Além do trabalho no HC, em alguns finais de tarde eu ministrava aulas práticas na Disciplina de Fisiologia, no Curso de Psicologia da Universidade Paulista (atual UNIP). O Dr. Wilson Aun, amigo, padrinho de casamento e conselheiro, era o titular da cadeira. A experiência me preparou para o desenvolvimento da arte de ensinar, e a aproximação com a Psicologia e com minha futura esposa, Jassanan, abriram minha mente para as Doenças Psicossomáticas.
Ao final do curso de especialização, recebi um convite do Dr. Manoel Oswaldo Spiritus (chefe do Eletrocardiograma) para fazer parte do grupo de médicos que iniciaria a Divisão de Métodos Gráficos (cujo Diretor era o Prof. Dr. João Tranchesi) do recém inaugurado Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP (INCOR).
1977 a 1992
No início de 1977, o INCOR iniciava suas atividades. Minha vida pessoal também tomava novos rumos: casei-me em 1983; minha primeira filha, Giovana, nasceu em 1984, e pouco mais de dois anos depois nasceu a caçula, Bruna.
Em 1989, chegou ao Brasil, com o esforço do Prof. Dr. Fulvio Pileggi, o primeiro equipamento da América do Sul para Mapeamento Eletrocardiográfico de Superfície (Body Surface Potential Mapping). A partir de estudos feitos com esse aparelho, iniciei minha pesquisa. Em 1992, defendi meu Doutorado. No mesmo ano, comecei a prestar consultoria sobre saúde para a Rádio Eldorado. Também me aventurei na apresentação de informação médica aos ouvintes.
A minha relação com o rádio, porém, era mais antiga. Desde criança, estimulado pelo Sanja, também criador do “Show de Rádio” (ouça 01 - Joca do Coringão, 02 - Didu Morumbi e 03 - Zé Bétio), marcante programa de humor da transmissão esportiva, frequentei bastidores de programas. Meu tio e padrinho, Vicente Leporace, conhecido por seu programa matinal "O Trabuco" também me levava para acompanhá-lo em suas jornadas de trabalho. Ele, aliás, é o criador do meu apelido – Pilico. Os dois são fundadores do asilo “Lar Mãe Mariana” em Poá, do qual faço parte da Diretoria até hoje. Depois do falecimento de minha mãe, Olga Sangirardi, em março de 2010, os amigos do nosso grupo estão mantendo a nossa obra de 30 anos. A Da. Olga viveu para ajudar as pessoas, e criou, além de mim, filho único, um número enorme de pessoas como fossem filhos. Na Jovem Pan, além de radialista, colaborou com a assistência social e desenvolveu esse dom de criar amigos e ajudar os que mais precisavam. A sua luta durou 87 anos trabalhando até o fim com garra e sem limites para manter o nosso asilo e a nossa sede em São Paulo através de bingos, bazares e doações dos amigos.
Grandes amigos de hoje conheci naquela época: Elpidio Reali Jr., Orlando Duarte e Nei Gonçalves Dias. Dos falecidos, mas inesquecíveis: Del Fiol e Fernando Vieira de Melo, com os quais convivi nesse período.
1993 a 2001
A partir de 1993 comecei a participar dos congressos da International Society of Electrocardiology, entidade que congrega renomados profissionais da Eletrocardiologia mundial e da qual o prof. Dr. Tranchesi fez parte até 1978. Hoje integro o conselho dessa sociedade internacional.
Em 2001, realizei em São Paulo o primeiro congresso dessa sociedade no Hemisfério Sul. O contato com esse grupo de médicos incentivou-me a realizar trabalhos, apresentações e publicações internacionais na área de Eletrocardiologia e, principalmente, na minha linha de pesquisa, a de Mapeamento Eletrocardiográfico de Superfície.
Nos últimos anos, participei da fundação da Comissão de Eletrocardiografia da Sociedade Brasileira de Cardiologia, da qual sou presidente. Atualmente ela é também um grupo de estudos e busca congregar os colegas da especialidade e difundir as últimas novidades dos congressos nacionais e internacionais.
2002 a 2006
No ano de 2003, além da chefia do serviço de Eletrocardiograma do Incor, também comecei a participar da Diretoria do Serviço de Eletrocardiologia. Também estive no “Board” da Diretoria Executiva.
No ano de 2004 defendi o título de Livre-Docente da Faculdade de Medicina da USP com a minha tese baseada no Mapeamento Eletrocardiográfico de Superficie, tema da nossa linha de pesquisa, e que foi publicado no exterior.
A partir de 2005 iniciei uma nova experiência na gestão médica, realizando um curso de especialização nesta área, na Fundação Getúlio Vargas, complementando os meus conhecimentos, adquiridos na gerência da minha assistência médica (CAP Médicos Associados) desde 1990. A possibilidade de desenvolver e aplicar meus conhecimentos veio nos anos seguintes, quando pude colaborar com o meu amigo Dr. David Uip, que se tornava Diretor Executivo do Incor – FMUSP e me fez o convite para ser Diretor de Serviços Médicos ligado a esta diretoria. Desta forma pude participar desde essa época das reuniões do Conselho Diretor do Incor – FMUSP.
Depois de 20 anos de experiência gerenciando o centro de diagnósticos cardiológicos não invasivos no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, fomos convidados, em 2006, para um novo desafio no Hospital Vila Lobos – vinculado ao grupo que construiu o CEMA (referência em otorrino e oftalmologia) – comandado pelos amigos médicos da família Aquino. Neste Hospital criamos a Cardiologia completa desde o diagnóstico não invasivo, hemodinâmica, clínica e cirurgia com a orientação do meu amigo Dr. Paulo Cretela.
2007 a 2009
O nosso consultório apresentou um grande desenvolvimento a partir de 2007, após a mudança de endereço para a Rua Martiniano de Carvalho, 864, décimo segundo andar, onde pudemos pôr em prática a nossa experiência em prevenção e qualidade de vida. A reunião de uma equipe multidisciplinar (médicos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos) trouxe um atendimento completo e adequado para a missão da nossa clinica.
O meu casamento em 2008 completou 25 anos com a mesma esposa, Jassanan, acontecimento raro nos dias de hoje, que me deu duas filhas muito carinhosas e dedicadas, Bruna, futura Psicóloga, e Giovana, Jornalista e pós-graduanda em História (formada na USP) na Sorbonne, em Paris.
A partir de 2009, quando completei 60 anos, resolvi jogar só meio tempo no time dos médicos no CAAOC, liderado pelo prof. Amato Neto, e no EC Pinheiros com os meus amigos de mais de 30 anos, do River.
Nestes últimos anos temos realizado muitas palestras e entrevistas nas rádios e televisões, tentando lembrar as pessoas da importância dos cuidados com as doenças crônicas e com os hábitos inadequados, e da importância da prevenção para se envelhecer com dignidade.
2010 a atualmente
Em março de 2010 senti muito a perda de minha mãe, Olga de Biasi Sangirardi, que contava 87 anos, grande parte dos quais dedicada a ajudar as pessoas necessitadas. Minha mãe, junto com Vicente Leporace, meu tio e padrinho, e o Sangirardi, fundaram, há quase 40 anos, em Poá, SP, o Lar Mãe Mariana [site]. A entidade, durante esses anos, vem se dedicando aos idosos carentes e até o fim da vida minha mãe, apoiada por seu grupo de amigos e colaboradores, ajudou a manter esse projeto vencedor, que continua ativo e consistente.
Neste ano de 2011 perdemos, infelizmente, grandes amigos. Elpidio Reali Jr., 71 anos, jornalista consagrado, amigo de todas as horas, casado com Amélia Reali, Melinha, que esteve ao lado dele até o fim, com dedicação e amor inigualáveis. A outra perda foi de um dos componentes do Show de Rádio, o Serginho Leite, 54 anos, imitador e cantor, que com uma criatividade ímpar nos acompanhou durante o período de maior sucesso do programa, tanto no rádio como no teatro.
A notícia boa deste 2011 foi a minha eleição, durante o Congresso no Canadá, para Presidente da International Society of Electrocardiology [site], órgão mundial de eletrocardiologia, com mais de 50 anos de atividade. Eu serei o primeiro presidente latino-americano da sociedade (eleito para o biênio 2013/2014) e fico muito honrado com isso.

